segunda-feira, 11 de julho de 2011

Visita a Flying Dog




A maioria dos consumidores de cervejas especiais aqui no Brasil ja conhece a Flying Dog. Grande parte dos seus rótulos ja estiveram disponíveis no pais ate' que, no final do ano passado, uma historia polemica envolvendo a importadora e suspeitas de alteração da data de validade / frescor, ocasionou a interrupção das importações ate segunda ordem. As ultimas cervejas que vieram para o Brasil expiraram sua validade ha pouco menos de 1 mes, e portanto, todas as cervejas daquele lote nao podem mais (em teoria) serem comercializadas no pais.

Fachada da cervejaria em Frederick Maryland

A Flying Dog na verdade e' originaria do Colorado (comecou como um brewpub em Aspen) e foi fundada por George Stranaham, cervejeiro, alpinista e maluco de plantão. Pra quem nao sabe a historia, esse curioso nome foi criado em 1983 em uma das expedições de alpinismo amador em que Stranaham e sua trupe conseguiram, apos muito sacrificio, escalar a  montanha K2 nos Himalaias, a segunda mais alta do planeta. Logo apos a expedicao, os aventureiros bebiam em um bar de hotel no Paquistao quando Stranaham gostou muito de um quadro na parede do bar que tinha um cachorro com asas. Dai criou a "filosofia Flying Dog" (a cerveja so' veio a aparecer em 1990) que e' algo como: "Todos sabemos que cachorros nao voam, mas ninguem disse a essa criatura que ela nao podia voar, assim como ninguem disse ao grupo de alpinistas que nao poderiam escalar o perigoso K2. E' impressionante o que se pode alcancar na vida se ninguem lhe diz que voce nao pode".

George Stranaham, em foto tirada do site da Flying Dog

A cervejaria e' ainda conhecida por sua relação com o escritor Hunter S. Thompson, um dos maiores usuarios de drogas psicoativas de que se tem noticia e autor do famoso livro "Medo e Delirio em Las Vegas" (que virou um filme estrelado pelo Johnny Depp). Thompson era muito amigo de Stranaham e influenciou o Modus Operandi da companhia, bem como diversos nomes de cervejas (como a Gonzo Imperial Porter, nomeada em homenagem ao estilo de jornalismo criado pelo escritor).

Hunter S. Thompson na capa da Rolling Stone

E' também da relação com Thompson que surgiu a ideia de que todos os seus rótulos fossem desenhados por Ralph Steadman (http://www.ralphsteadman.com/), assiduo colaborador do escritor em todos os seus livros. Steadman tem um estilo visualmente agressivo e muito peculiar de desenhar, e todo mundo que olha o rotulo de uma cerveja da Flying Dog pela primeira vez fica muito impressionado, principalmente pela absurda falta de criatividade nesse “fundamento” aqui no Brasil.

Ralph Steadman

No final do ano passado, em meio a toda essa polemica envolvendo a importação, tive a oportunidade de visitar a cervejaria la em Frederick, estado de Maryland, pertinho de Washington DC. Alias descobri que a mudança do Colorado para Maryland aconteceu porque nao havia muito espaço fisico para expansão na fabrica antiga e, ao estudar o mapa de vendas, percebeu-se que a popularidade e volume na região do nordeste americano era altissimo. Isso ainda coincidiu com o fechamento de uma grande cervejaria com equipamentos e instalações modernas em Maryland que iria ficar desativada. Pesando todos esses fatores, bem como a concorrência ferrenha no Colorado, em 2009 o pessoal resolveu pegar os “cachorros” e se mudaram para essa nova fabrica que vem funcionando ate' o presente momento.

Apos a mudança de estados, a cervejaria ficou fechada a visitacoes do publico por um problema legislativo: O estado de Maryland simplesmente proibia a degustação de mais de uma dose de bebida alcoólica em qualquer tipo de tour de cervejaria, o que inviabilizava totalmente a pratica da mesma. A propria Flying Dog ja esta se mobilizando para mudar essa lei mas ate' quando eu estava nos EUA as visitacoes ainda se encontravam suspensas (UPDATE: acabei de descobrir que elas foram retomadas semana retrasada no dia primeiro de julho!)

A minha sorte foi a que durante alguns eventos cervejeiros aos quais eu compareci durante o ano na região de Washington, acabei conhecendo o JT Smith, que faz parte de relações publicas da cervejaria. Através dele, consegui marcar uma visita “extra-oficial” em um domingo quando a fabrica estava fechada e somente as leveduras estavam trabalhando. Foi um tour particular que ele deu pra mim e pra minha tia, que aconteceu mais ou menos assim:


Chegamos no domingo na hora do almoço sabiamente instruidos a trazer alguns quitutes, ja que eles nao tem restaurante ou comida no local. Assim fomos munidos de queijos, paes, frios e pates. Chegando la (apenas 15-30 min ao noroeste do centro de Washington) encontramos o JT e fizemos uma degustação das cervejas disponíveis on tap (e de graça!), ali mesmo no tasting room (que pela lei ainda nao podia ser usado). Segue a invejável taplist:

Doggie Style Pale Ale
Old Scratch Amber Lager
Tire Bite Golden Ale
Snake Dog IPA
Road Dog Porter
In-Heat Wheat Hefe Weizen
Gonzo Imperial Porter
Double Dog DPA
Horn Dog Barley Wine
Raging Bitch Belgian Pale Ale (cerveja do vigesimo aniversario da FD)
K-9 Winter Ale (sazonal de inverno)
Wild Dog Coffee Stout
Barrel Aged Gonzo Imperial Porter (envelhecida no Barril de Carvalho)
Uma single Hop DIPA feita com um lúpulo novo chamado Eldorado (versao experimental)




Enfim, ficamos tomando, comendo e conversando por um bom tempo ate' que a tour começou


Degustacao antes do tour

O tasting room vazio

O tasting room e' todo decorado com posteres dos rótulos da FD e pode-se ver algumas das medalhas do World Beer Cup e do GABF na parede, inclusive o certificado de melhor microcervejaria americana do ano de 2009:


Passamos primeiro pela parte administrativa com uma grande sala de reuniões com as paredes todas decoradas com desenhos do Ralph Steadman, seguida de um corredor com uma coleção de latinhas de cervejas antigas. A partir dali duas portas de metal levavam ao interior da cervejaria:



uma das salas de reunioes mais legais que eu ja vi


Na parte “quente” da cervejaria fica a maltaria e a cozinha, com os toneis na parte elevada em uma plataforma de metal. E' muito moderna e toda de aço inox. O Brew Kettle tem capacidade de 50 barris e os controles de transferencia e de temperatura sao todos eletrônicos:













Seguimos para a sala “fria” com todos os fermentadores e alguns barris de carvalho, feitos para experimentação A fabrica e' gigantesca com muitos fermentadores, alguns deles a todo vapor com a mangueira borbulhando no balde:




Fomos entao a ala de engarrafamento e empacotamento, também muito moderna e igualmente gigante. Sao pilhas e pilhas de caixas de cerveja empilhadas, esperando o transporte do dia seguinte:




Seguiu-se entao o momento mais epico da visitacao, quando o JT me ofereceu um pouco de Extra Special Gonzo: ele simplesmente retirou um prego de um barril de carvalho e me colocou um copo da Gonzo Imperial Porter inoculada com cepas de Brettanomyces e Lactobacillus, "fresquinho" (na verdade ja estava no barril por uns 2 anos) e sem carbonatacao. Os aromas azedos da fermentação selvagem logo encheram o ar e apesar de extrema, a cerveja estava deliciosa.

Extra Special Gonzo com Brettanomyces no barril por 2 anos!

Deu pra perceber que a Flying Dog e' uma cervejaria muito seria e irreverente ao mesmo tempo. Seus funcionarios sao muito simpáticos e fazem de tudo para agradar. Realmente e' uma pena que nao tenhamos mais essa cervejas por aqui, pelo menos por enquanto.



E so pra manter a tradição, segue a minha avaliação da Wild Dog Coffee Stout que eu tomei no tasting room aquele dia:



Aparencia e' marrom bem escuro, quase totalmente negra. A espuma e' marrom avermelhada e nao durou muito, deixando um anel na superficie. Retencao nas laterais foi nula. Cerveja de aparencia bem licorosa e pesada.

O aroma e' bem centrado no cafe' om notas de espresso parecendo logo de cara. Tambem pode-se sentir algumas notas de chocolate, baunilha e alcool. Mas parece mesmo um copo de cafe' gelado.

Na boca a cerveja segue o aroma com o cafe' e um pouco de chocolate dominando o malte escuro, que se mantem sempre em segundo plano. O aftertaste remete novamente ao cafe' com um toque adocicado de melaco.

O corpo e' surpreendentemente mediano, com mouthfeel aveludado e sem nada daquele adstringente percebido em muitas cervejas de cafe'. Carbonatacao media a baixa, elevando ainda mais o drinkability que na minha opiniao e' o ponto mais forte dessa stout.

Geralmente nao gosto muito de stouts com o corpo mais leve mas gostei da manobra para deixar o cafe' se sobressair um pouco. Uma bela cerveja que deveria ser produzida em maior quantidade.

Teor Alcoolico: 8.0%
Preco: degustacao

Foto retirada do blog BEERsimple

Notas:


Aparencia: 7/10
Aroma: 8.5/10
Sabor: 8/10
Sensacao: 9/10
Conjunto: 8/10


Total: 8.1

domingo, 3 de julho de 2011

Mais da cervejaria mais maluca dos EUA - Pretty Things, parte 3 de 3 - St. Botolph's Town


Finalizando a serie de 3 posts sobre a Pretty Things Beer and Ale Project, temos a Saint Botolph's Town, uma "Rustic Dark Ale" que segundo a propria cervejaria nao se encaixa em nenhum estilo muito definido

A ideia da receita foi fortemente inspirada pelas cervejas strong ales bem maltadas da regiao de Yorkshire (terra natal de Dann e Martha). Alguns exemplos comerciais citados por ele sao a Theakston's Old Peculier, Robinson's Old Tom, Samuel Smith's Yorkshire Stingo e a Daleside Morroco Ale - esta ultima eu tive o prazer de tomar em um pub Londrino ha mais ou menos um ano (obviamente sem saber da relacao com a Pretty Things):




Acima, algumas das cervejas inglesas que inspiraram a Saint Botolph's Town

Seguindo a tradicao de Yorkshire, foi usado como base o malte da maltaria artesanal Thomas Fawcett & Sons assim como aveia maltada e trigo torrado. Alem disso, a cerveja ainda leva a adicao de 4 tipos de acucares adjuvantes para ajudar na coloracao e no sabor. A brassagem tambem foi feita com tecnicas celebres do velho mundo, como e' o caso do Decoction Mashing, pratica de retirar parte do mosto, ferve-lo separadamente e readiciona-lo ao mosto original, tudo isso para realcar as caracteristicas do malte bem como para lhe conferir um aspecto envelhecido.
A fermentacao, tambem segundo a tradicao Yorkshireana, e' feita em tanques abertos. Foram usadas duas cepas combinadas - uma de estilo ingles e outra belga (ai sim o protocolo foi quebrado) para conferir um final mais rustico.


O nome da cerveja vem como uma homenagem a Boston, MA - cidade onde Dann vive atualmente. O que pouca gente sabe e' que a Boston original fica na regiao de Linconshire,  cerca de 200 Km ao norte de Londres, na costa leste da Inglaterra. Foi de la que vieram alguns puritanos que acabaram fundando a cidade que hoje e' uma das maiores dos EUA.
O nome Boston na verdade e' uma abreviacao para "Botolph's Town" ou Botolph's Stone" devido a uma igreja na cidade que tem uma torre de 83 metros de altura, apelidade carinhosamente de "The Stump".
Botolph ou Botwulf foi um monge e santo que viveu ao redor de 600 depois de cristo e e' padroeiro dos viajantes. Sua festa e' comemorada todo ano na Inglaterra no dia 17 de junho.

Saint Botolph, padroeiro dos viajantes e inspiracao para o nome de Boston

Na foto, Dann Paquette com a cerveja em uma pedra que simboliza o local de 
um discurso feito por Saint Botolph no ano de 675.

Saint Botolph's Town


Coloracao marrom escura, quase opaca, com tons avermelhados quando olhada contra a luz. Forma colarinho marrom bem claro de uns 2 dedos que persiste por muito tempo (segundo o pessoal da cervejaria eles cronometraram que a espuma perdura por mais de 10 minutos). Retencao nas laterais e' boa tambem. Linda cerveja.

Aroma suave de malte torrado, nozes, chocolate e cafe'. Um pouquinho de alcool se faz presente.

Sabor incial bem doce, com muito malte torrado, melaco, mel, caramelo e toffee. Tem bem menos notas de cafe do que no aroma. No meio do gole aparece um pouco de amargor de lupulo que da uma cortada boa no doce do comeco. O final e' longo e persistente, com aftertaste mais pro torrado/amargo.

Mouthfeel melado e corpo medio a alto, mas sem aquela sensacao pesada na gargante e no estomago, pois o alcool e' inexistente (engracado e' que da pra sentir um pouco no aroma). A carbonatacao e' bem alta.

No geral uma strong ale explosiva! Muito saborosa e complexa e melhor do que a grande maioria. Geralmente a gente fica impressionado quando uma cerveja bem maltada esconde o seu alto teor alcoolico. Com essa cerveja acontece o oposto. O que surpreende e' que o teor alcoolico seja tao baixo para o tanto de malte perceptivel. Sera que a levedura nao deu conta e deixou muito acucar residual ou sera que foi intencional? De qualquer maneira nao vejo isso como um defeito. Gostei da Saint Botolph's Town e recomendo pra quem goste de bombas de malte.

Teor Alcoolico: 5.9%
Preco: US$ 6.50 na loja


Notas:

Aparencia: 9.5/10
Aroma: 7/10
Sabor: 8.5/10
Sensacao: 7/10
Conjunto: 8/10

Total: 8.0

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Mais da cervejaria mais maluca dos EUA - Pretty Things, parte 2 de 3 - Babayaga



A Babayaga e' uma cerveja sazonal de inverno, com 7,0 % de teor alcoolico e e' inspirada em mais uma historia insana, cortesia da Pretty Things:


Baba Yaga e' um personagem folclorico de varios paises como Russia, Polonia, Lituania e Republica Tcheca. E' o equivalente ao que nos ocidentais conhecemos como bruxa, feiticeira, comedora de criancinhas. Uma velhinha (Baba - quer dizer vo' e Yaga - quer dizer algo como "decrepita") malvada, nariguda (com a classica verruga na ponta) que vive sozinha na floresta em uma cabana que tem pernas de galinha e muda de localizacao "andando" e "dancando". O buraco de fechadura e' na verdade uma boca com dentes afiados e a casa e' rodeada por uma cerca de ossos com cranios em cima, exceto por alguns ossos sem cranios, esperando as cabecas dos protagonistas das historias. Nao ha portas e somente janelas. Baba Yaga sai e entra apenas pela chamine', voando em sua vassoura.


O personagem na verdade serve para ensinar criancas o valor dos bons modos, pois apenas as pessoas que se portam adequadamente e nao perguntam coisas desnecessarias sao poupadas pela velhinha. Serve tambem para assustar as criancas quanto a nao andarem para muito longe de casa (algo como a nossa Cuca do sitio do pica pau amarelo).


Enfim, a cerveja foi inspirada neste cenario de florestas, riachos, frio e fogueira. E' uma Stout brassada em Westport MA utilizando malte defumado em alecrim, centeio, aveia e trigo. O fermento foi um mix de cepas inglesas e belgas.


Coloracao negra e opaca porem ainda nao tao densa como algumas imperial stouts. Forma colarinho abundante de 2 dedos e cor marrom-clara. Persiste por muito tempo com otima retencao nas laterais do copo.

Aroma de malte escuro, pao, frutas escuras,toques de chocolate ao leite e um pouco de alcool. Todas essa notas sao, no entanto, bem suaves e a cerveja tem um aroma meio metalico pairando sobre o resto.

O sabor incial e' de malte escuro e frutas escuras (porem ate' menos que no aroma). Continua com algumas notas muito agradaveis de malte defumado e finaliza bem amarga, tambem com algumas notas de chocolate ao leite e talvez um pouco de baunilha.

O corpo e' bem light para uma stout e nao "enche" a boca. A carbonatacao e' alta o que prejudicou um pouco o mouthfeel, que poderia ser mais macio. Drinkability bom.

No geral uma american stout relativamente boa. Gostei da insercao do malte defumado. Provavelmente nao compraria de novo mas se me oferecessem eu tomaria facil.

Teor Alcoolico: 7.0%
Preco: US$ 7.99


Notas:

Aparencia: 9.0
Aroma: 7.0
Sabor: 7.0
Sensacao: 7.0
Conjunto: 8.0

Total: 7.6

domingo, 19 de junho de 2011

Mais da cervejaria mais maluca dos EUA - Pretty Things, parte 1 de 3 - Baby Tree


No ultimo feriado de Thanksgiving em novembro do ano passado, pedi para minha prima (que mora em Boston) mais algumas cervejas da Pretty things Beer and Ale project, cervejaria Gispsy encabecada pelo malucao Dann Paquette que faz suas receitas em "caldeiroes alugados".  Basta uma olhada no video abaixo pra se ter uma nocao da insanidade do Dann e companhia...


Ja tinha falado aqui da fantastica historia da Jack D'or, Saison flagship da cervejaria. Segue o link para aquele post, vale a pena ler se voce nao viu: http://cervejasamericanas.blogspot.com/2010/10/pretty-things-jack-dor.html

Enfim, minha prima  me trouxe 3 novas cervejas da Pretty Things. Elas estarao nos proximos 3 posts separadamente. A primeira, uma Quadrupel chamada Baby Tree.


Sua historia e' igualmente estranha a da Jack D'or. A cerveja, uma Quadrupel feita com levedura belga e adicao de ameixas secas, tem seu nome derivado de uma pequena arvore decorada com bonecas de plastico desfiguradas, que fica em uma fazenda nos remotos arredores de Yorkshire, na regiao de Sexhow. A fazenda e' de uma velhinha chamada Judy que promove, desde o inicio da decada de 80, um festiva de musica e real ale. So' nao da pra entender o que leva alguem a nomear uma cerveja em homenagem a algo tao creepy.  Mas de qualquer maneira, eu acho que a insanidade da Pretty Things ja ficou bem provada no video la em cima e na historia da Jack D'or. Aqui vai um video pra provar essa historia toda:


Bizarrices a parte, vamos a cerveja.



Coloracao marrom-escura com raias avermelhadas quando olhada contra a luz. Produz um colarinho cremoso de cor marrom-clara com otima persistencia e retencao.

O aroma e' um tanto quanto inesperado para uma quadrupel: noto apenas grao, malte escuro/caramelo, escassas frutas escuras e discretissimas notas de fermento. Pra mim uma quad deve ter aroma bem forte com muitas notas doces e principalemente aquele frutado de fermento, o que nao e' o caso dessa cerveja.

O sabor comeca legal com malte doce, pao torrado, caramelo e toffee. Tambem algumas notas de frutas escuras (ameixa, uva-passa, etc). Termina com sabor forte de lupulos amargos, herbais, terrosos e  "apimentados". Novamente a presenca do fermento e' fraquissima.

Mouthfeel e' normal, com carbonatacao media a alta. Corpo e' medio a alto.

No geral ela deixou a desejar. Nao e' uma cerveja ruim, mas na minha opiniao as quadrupels tem que ser bem mais doces e complexas do que ela. Faltou complexidade na cerveja e sobrou complexidade na sua historia rsrs. Alem disso, tinha lupulo demais e nao tem nada a ver com o estilo.

Teor Alcoolico: 9.0%
Preco: US$ 7.99 a garrafa de 600ml.


Notas:

Aparencia: 8/10
Aroma: 6/10
Sabor: 7/10
Sensacao: 7/10
Conjunto/estilo: 6/10

Total: 6.8

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Samuel Adams Noble Pils

Sazonal de primavera da Samuel Adams, a Noble Pils e', como o nome sugere, uma Bohemian Pilsener feita com lupulos ditos "nobres" provenientes da europa: Hallertau, Tettnang, Saaz, Spalt e Hersbrucker.
Produzida desde 2009 conta ainda com 4 tipos de malte inclusive o malte pilsen da Republica Tcheca, pais que originou o estilo.


Coloracao amarelo-dourada brilhante e cristalina, formando 1 dedo de colarinho branco como a neve, que a presenta otima persistencia durante todo o consumo, bem como uma bonita retencao nas laterais do copo.

O aroma e' de lupulos nobres, muito floral e aromatico. So' quem ja sentiu sabe do que eu estou falando mas digamos que e' uma mistura de limao, grama, pimenta e flor de laranjeira. Tambem sinto um pouco de aroma de pao e biscoito, em segundo plano.

O sabor comeca aromatico com os lupulos novamente dominando. Segue entao para notas maltadas doces de pao, biscoito e graos. O final e' moderadamente amargo com as notas apimentadas e florais ressurgindo.

Corpo mediano tendendo para o light, com carbonatacao media a alta. O mouthfeel ficou certinho, seco e agudo, como manda o figurino.

No geral eu gostei muito da cerveja. Muito bem feita e dentro do estilo: final seco, agudo e refrescante, com bastante enfase nos lupulos nobres, que vem a tona com otima complexidade principalmente no final do gole, bem como no aroma. Ainda fico com a Prima Pils da Victory, que na minha opiniao e' a melhor que ja tomei, mas essa aqui chega bem perto.

Teor Alcoolico: 4.9%
Preco: US$ 11.00 o six-pack.


Notas:


Aparencia: 8/10
Aroma: 8/10
Sabor: 8/10
Sensacao: 7.5/10
Conjunto/Estilo: 8.5/10 


Total: 8.0

domingo, 5 de junho de 2011

Lagunitas - Brown Shugga'

Mais uma cerveja de peso da excelente Lagunitas Brewing Company, de Petaluma California.



A Brown Shugga' e' uma American Strong Ale que na verdade veio de um erro cometido em 1997 com uma leva da Olde Gnarleywine Ale (que eu tomei la no Rattle n Hum em NY aqui neste post - http://cervejasamericanas.blogspot.com/2010/07/cervejas-americanas-e-canadenses-em-ny.html). Com o erro de fermentacao e para nao perder o mosto, o pessoal da Lagunitas resolveu adicionar um monte de Brown Sugar (dai o nome) para servir de novo substrato para o novo fermento. O resultado foi muito bom e acabou-se criando um classico que sai todo ano por volta de outubro. Uma cerveja sem muito estilo definido porque tem tambem uma quantidade imensa de lupulos do noroeste americano.



Coloracao cobre-avermelhada e cristalina brilhante, com colarinho beige de moderada persistencia e muita retencao nas laterais do copo. Se existe uma cor ideal pra uma cerveja, provavelmente e' essa. Linda.

Aroma inicial doce de caramelo, toffee e mel, tambem com acucar mascavo. Final bem floral e citrico, com limao, abacaxi e um toque apimentado. O malte, porem, sobrepuja o lupulo no nariz.

O sabor segue mais ou menos o aroma, comecando mais doce com caramelo e acucar queimado, logo transicionando para excelentes notas citricas e aromaticas de lupulo (frutas vermelhas, morango, cerejas e grapefruit). Um amagor agradavel aparece no final sendo seguido por algum dulcor residual do malte cristal, biscoito e acucar mascavo. Notas de alcool moderadas no aftertaste.

O corpo e a carbonatacao sao bem medianos e comedidos, sem prejudicar a avaliacao sensorial dessa cerveja. Mouthfeel um pouco grudento devido ao alto teor de malte e acucar, mas mesmo assim desce macia na garganta, escondendo bem o alcool.

Moral da Historia: Outra joia da Lagunitas que nao e' conhecida pela complexidade em suas cervejas e sim por um altissimo drinkability e otimo custo beneficio, assim como pelo uso indiscriminado de lupulos americanos. Essa nao e' diferente - uma puta cerveja deliciosa, porem bem pouco complexa, mas que fica brincando o tempo todo com o balanco entre o acucar e os excelentes lupulos utilizados. Uma session beer mais pesadinha, aquela cerveja que esta sempre entre as top 5 quando bate aquela indecisao no supermercado ou no bar.

Teor Alcoolico: 9.9%
IBUs: 51
Preco: US$ 4.00 no bar.


Notas:


Aparencia: 9/10
Aroma: 7.5/10
Sabor: 8/10
Sensacao: 7/10
Conjunto: 7/10


Total: 7.7