Tudo sobre cervejas americanas: avaliações, degustações, eventos cervejeiros, roteiros de viagem, histórias engraçadas, visitas a cervejarias, a bares e a restaurantes que servem cervejas especiais no EUA.
Divulgando a cultura cervejeira e os rótulos norte americanos para os apreciadores de cerveja brasileiros
Na opinião desse blog a melhor cervejaria do mundo para cervejas extra lupuladas é, sem sombra de dúvida, a Firestone Walker - de Paso Robles, California. A Russian River tem o hype atrás de seus rótulos (Plinys), mas quem ganha premio atrás de premio nas categorias mais disputadas (American Pale Ale, American IPA e Double IPA) das principais competições do mundo é sempre Matt Brynildson e companhia.
Fundada em 1996 pelos cunhados Adam Firestone e David Walker, a cervejaria só foi mesmo pra frente depois de 2001, quando os donos compraram o local onde atualmente ela se encontra: no meio da costa Californiana, entre Los Angeles e San Francisco. Foi também em 2001 que eles contrataram o Brynildson, que é o cara que mais entende do uso do lupulo na cerveja no mundo. Matt esteve no Brasil em algumas oportunidades e até ajudou a desenvolver a receita da Double IPA da Cervejaria Colorado, antigamente chamada de Double Indica e recentemente rebatizada de Vixnu.
Adam Firestone, Matt Brynildson e David Walker
A lista de premios é extensa e engloba, como ja dito, os principais torneios do mundo como a World Beer Cup, European Beer Star e Great American Beer Festival. Não vou citar todos aqui, se alguém tiver a curiosidade entre nesse link: http://www.firestonebeer.com/awards-press/.
Fui sortudo o bastante de ja ter tomado essas cervejas e posso dizer com toda honestidade que são excepcionais. Quem tiver a oportunidade de viajar para os EUA não deve perder a chance de toma-las.
Segue abaixo a minha avaliação da Union Jack IPA e da Double Jack (Double IPA). Faço o agradecimento ao meu grande amigo Alexandre Potascheff por ter me presenteado com uma garrafa fresquinha dessa ultima cerveja, recém trazida de sua viagem a California.
Union Jack IPA
Usa 4 tipos de malte (2-row, Munich, Cara-Pils e Light Crystal) e 7 variedades de lupulo: Warrior e Simcoe (amargor), Cascade e Centennial (final da fervura) e Amarillo, Cascade, Centennial, Chinook e Simcoe (dry-hopping, que é feito tres vezes).
Aparencia cor de cobre, límpida. Colarinho branco/creme com boa persistencia e excelente retenção.
O aroma basicamente só vem dos lupulos: Notas cítricas, pinhais e resinosas emanando deliciosamente do copo. Um toque de floral também.
O sabor, como o aroma sugeriu, é também centrado nos lupulos. Com certeza o malte está ali para balancear tudo mas o aspecto lupulado é tão fresco e saboroso que não se consegue nota-lo. Bastante tangerina e um pouco de pinhal novamente.
O mouthfeel é bem cremoso e aveludado, com carbonatação media a baixa. O final, como não poderia deixar de ser, é um pouco ácido, adstringente e seco, pedindo o próximo gole.
American IPA top de linha. Não consigo achar nenhum defeito nela. Simplesmente sensacional.
Teor Alcoolico: 7.5%
Preço: US$ 5.00 o pint no bar
Notas:
Aparência: 8/10
Aroma: 9/10
Sabor: 9/10
Sensação: 9/10
Conjunto: 10/10
Total: 9.0
Double Jack
Usa 3 tipos de malte (2-row, Munich e Light Crystal) e 6 variedades de lupulo: Warrior e Columbus (amargor), Cascade e Centennial (final da fervura) e Amarillo, Cascade, Centennial e Simcoe (dry-hopping).
Aparência cristalina com coloração laranja-escura / cobre. A espuma é cremosa e cor de creme. Persistencia e retenção medias a altas.
Aroma explosivo com frutas cítricas e tropicais: grapefruit, tangerina, laranja, manga e abacaxi. Da pra sentir tudo. Diferentemente de sua "irmã menor" (a Union Jack) consegue-se detectar algumas notas de malte caramelo e uma pitada de alcool volátil. Poderiam fazer um perfume com o aroma dessa cerveja e eu o usaria todo dia.
O sabor novamente começa bem frutado e cítrico, também com algumas notas de grama recém-cortada. É importante frisar que o malte fica perfeitamente balanceado e andando em segundo plano, com notas carameladas aparecendo principalmente do meio pro final do gole. O amargor aparece no final mas é medio a baixo e absurdamente suave na boca, porém o final é seco. O aftertaste tem mais fruta do que amargo.
Corpo medio a baixo para o estilo. Carbonatação também tendendo pro medio baixo com alcool virtualmente não perceptível. Difícil acreditar nos 9.5%. Drinkability gigantesco.
No geral essa é sem duvida uma das melhores Double IPAs ja feitas. Além obviamente do malte, os lupulos com sua característica frutada e quase doce balanceiam o seu próprio amargor. Loucura. Por favor a beba fresca, nada de comprar a garrafa e "guardar" para uma ocasião especial. Crie a ocasião!
Parte da "Imperial Series"- segmento de estilos classicos "imperializados" da Boston Beer Company, a Double Bock é sem duvida a mais famosa e pioneira da serie, datando de 1988. Hoje, além dela, temos a Imperial Stout, Imperial White e a Wee Heavy fazendo parte dessa série.
Seguindo o classico estilo alemão também conhecido como Doppelbock e exemplificado pela Paulaner Salvator, a Samuel Adams utiliza quatro tipos de malte (2-row Harrington, Metcalfe, Copeland Pale e Caramel 60) e duas variedades de lupulo nobre (Tettnanger e Hallertau) para fabricar a cerveja. Fica maturando por 4 semanas antes de ser comercializada.
Disponível o ano inteiro, tem OG de 23 plato, 9.5% de alcool e 40 IBU. São cerca de 225 gramas de malte por garrafa de 330 ml que possui 353 calorias, seguindo a risca o estilo originado para nutrir os monges durante a quaresma. Enfim, uma lager de responsa.
Coloração marrom escura e avermelhada, cristalina, com rica espuma beige que se mantém na superfície por muito tempo. A retenção é sensacional. Linda cerveja no copo!
Aroma ficou com intensidade um pouco aquém do esperado. Como não poderia deixar de ser, tem notas maltadas de caramelo, toffee e nozes, também com dulçor de bubblegum, outras frutas vermelhas e talvez alguma baunilha. Alcool moderadamente aparente.
O sabor, acreditem ou não, começa meio salgado e transiciona para malte torrado, caramelo, toffee e nozes, bem como notas frutadas das quais predomina a ameixa. Finaliza bem alcoolica e "quente".
Na boca, tem sensação cremosa e um pouco agressiva, com media a alta carbonatação. Aftertaste longo e duradouro, principalmente com notas de malte caramelo e toffee, bem como alcool volátil. Drinkability mediano.
Doppelbock bem feita que eu definitivamente tomaria de novo, mas achei aquelas notas salgadas iniciais um pouco estranhas (teria sido algum off-flavor na minha garrafa?). Também poderia ter aroma mais intenso.
Teor Alcoolico: 9.5%
IBUs:40
Preço: US$ 5.00 no bar
Aqui vai mais um post sobre ótimos bares para se tomar cervejas americanas nos EUA. Este aqui é um bem peculiar e fica na região metropolitana de Washington DC, na cidade de Silverspring MD.
A Quarry House Tavern (http://quarryhousetavern.com/) é um mítico pub de porão cuja entrada fica escondida do lado de um restaurante Indiano. Da rua voce só ve um pequeno letreiro e uma parede de madeira bem detonada que esconde uma grade de metal que por sua vez leva a uma escada de 13 degraus para o subsolo. Pouca gente que não é de Silverspring sabe desse lugar, que tem um status cult entre os apreciadores de boas cervejas.
La dentro a atmosfera é no mínimo peculiar: lugar escuro, sujo, com paredes de madeira e teto bem baixo. O cheiro de fritura com cerveja derramada domina o ar viciado que transmite as ondas sonoras do bom e velho rock and roll. Enfim, um lugar perfeito para se tomar uma cerveja encorpada em um dia frio e cinzento de inverno. E foi o que eu fiz.
Conhecido pela frase Beer. Burgers. Basement esse bar "literalmente underground" se especializa em cervejas e comidas gordas como hamburgueres e frituras, em especial as tater tots (http://en.wikipedia.org/wiki/Tater_tots) bolinhas fritas de batata gratinada que acompanham os lanches.
Mushroom Cheeseburger com side de Tater Tots
A lista de cerveja, como não poderia deixar de ser, é bem interessante com muitas opções (cerca de 300) de garrafas do mundo inteiro. São poucas taps (se não me engano 9, sendo uma de Guinness e o resto de cervejas locais como a Heavy Seas e Flying Dog). Outra coisa boa desse bar é o preço, muito inferior a maioria dos bares similares de Washington. Aqui vão algumas fotos da Beer List que ironicamente é chamada de Beericulum Vitae:
Enfim, é um lugar altamente recomendável para quem estiver nos arredores de Washington DC. Você chega la de metro saindo na estação Silverspring da linha vermelha. Pertinho do bar, vale também a visita a um dos mais importantes cinemas do mundo, o AFI Silver Theater and Cultural Center (http://www.afi.com/SILVER/), que faz parte do American Film Institute.
A Californiana Sierra Nevada Brewing Company, além de produzir deliciosas cervejas de maneira sustentável, contribui com a cultura cervejeira local e proporciona experiencias ímpares aos seus fãs. Prova disso é o concurso anual chamado Beer Camp, em que consumidores são encorajados a fazer um video que convença a cervejaria a convida-los para um o "acampamento da cerveja".
Os ganhadores comparecem a uma visita ultra-exclusiva de dois dias a todas as partes da cervejaria e produzem uma cerveja experimental com a receita totalmente formulada por eles, podendo utilizar todos os mais variados ingredientes - inclusive fermentos, maltes e variedades de lupulos que foram criados experimentalmente no laboratorio, e nunca antes testados no mercado. Além da elaboração e execução supervisionada da receita, os ganhadores decidem o nome e desenvolvem o rotulo do produto. De quebra ainda ganham uma visita guiada pela cidade de Chico com direito a paradas em bares e restaurantes para a confraternização final. Tudo isso está devidamente explicado no sensacional website do concurso, dêem uma olhada: http://sierrabeercamp.com/#/home
Algumas das cervejas produzidas no Beer Camp
Essa receita foi produzida no Beer Camp por nada menos do que
Tomme Arthur e Jeff Bagby, respectivamente da Port Brewing/Lost Abbey e Pizza Port.
Em visita a Sierra Nevada no final do ano passado, meu irmão Patrick Zanello, mestre-cervejeiro da Cervejaria Colorado de Ribeirão Preto - SP, conseguiu adquirir uma garrafinha da Hopsichord, a cerveja do Beer Camp de numero 36. Foi feita por um grupo de participantes composto exclusivamente por músicos (daí o nome da cerveja). É uma Double American IPA avermelhada com 9.7% de alcool e 80 IBUs, feita com variedades experimentais de lúpulo e cinco tipos de malte.
Esq. para Dir: Ken Grossman (dono e fundador da Sierra Nevada),
Patrick da Colorado e Steve Dresler (Mestre-Cervejeiro da Sierra Nevada)
Coloração laranja bem escuro com tons marrom-claro, turva. O colarinho é branco e cremoso, mostrando moderada retenção e persistência de espuma.
O aroma é potente e traz malte caramelo e cristal, lupulos resinosos cítricos e pinhais que apresentam um final condimentado.
O sabor inicial é surpreendentemente bem maltado com notas de açúcar queimado, caramelo e castanhas seguidas de boa dose de lupulos cítricos e aromáticos, novamente com carater resinoso e pinhal. O amargor só aparece mais pro final do gole e contra-balanceia bem o dulçor dos maltes.
Seu corpo é pesado e denso, com mouthfeel grudento. O aftertaste é bem lupulado e amargo.
Uma deliciosa e balanceada Double IPA com bastante presença de malte, ao contrario das muitas outras versões californianas do estilo. Apesar da singular oportunidade de prova-la ainda ficou aquele gostinho de quero mais e a vontade de repetir a dose direto da bica no norte da California.
Mais um exemplar da sensacional série "Blackwater" de Stouts da Southern Tier, a Oat - como o nome sugere - é uma oatmeal stout turbinada.
Leva 4 tipos de malte (2-row, caramelo, chocolate e malte escuro) além da aveia e de cevada em flocos. Tudo isso equilibrado com lupulos willamete e columbus, resultando em uma densa cerveja com graduação alcoolica de 11%. Se você lê o blog sabe que sou fã incondicional dessa cervejaria e quando a vi on tap em Washington, não pude deixar de prova-la.
Coloração negra bem densa e opaca com fino colarinho de cor marrom-clara. A espuma tem moderada persistência e retenção.
Aroma tem notas principais de malte torrado, melaço, aveia/gergelim e notas menores de café e alcool. Apesar de bom, poderia ser mais intenso.
Na boca, o sabor começa com malte escuro torrado, caramelo e melaço. Em menor grau notas de café, chocolate e aveia. Finaliza com bastante dulçor residual que persiste no aftertaste (melaço e caramelo novamente) sendo perceptível o amargor dos lúpulos, porém em intensidade insuficiente para fazer fronte a avalanche de malte e açúcar.
Densa, tem mouthfeel grudento e cheio, com baixo drinkability. O corpo é alto com carbonatação mediana. A classica sensação de calor após o gole se faz presente e é bem agradavel. Peca um pouco pela falta daquela textura aveludada e sedosa tão característica das boas cervejas feitas com aveia.
No geral, apesar de algumas falhas supracitadas, é ainda uma ótima imperial Stout. Não se destaca tanto no pool comparativo de suas fenomenais irmãs norte-americanas mas faria muito sucesso no Brasil.
Teor Alcoolico: 11%
Preço: US$ 6,00 o calice no bar.
Pegando carona no clima de final de ano, resolvi fazer este post falando da cerveja sazonal de natal da Anchor, a "Our Special Ale" também muitas vezes conhecida simplesmente como Anchor Christmas.
Ela vem sendo produzida por essa classica cervejaria artesanal de São Francisco, California, desde 1975. Todo ano a receita é diferente, porém com algumas particularidades - É sempre uma Winter Warmer (BJCP categoria 21B) escura não muito alcoólica e recheada de especiarias porém com uma boa dose de misterio: Não se fala exatamente quais e quantas especiarias ou maltes foram usados em cada leva.
Outra coisa que muda todo ano é o rótulo. Obrigatoriamente ele tem uma árvore verde bem no meio, porém o tipo de arvore muda a cada nova receita. A versão de 2010 levou a espécie Ginkgo Biloba e curiosamente foi a primeira vez em 36 anos em que o nome cientifico da arvore não saiu no rotulo. Aconteceu devido a uma proibição pelos orgãos reguladores que ficaram com receio de que isso pudesse levar alguém a acreditar que a cerveja possuísse o remedio de mesmo nome em sua receita. A versão desse ano de 2011 tem a arvore Bristlecone Pine no rotulo.
Todos os 36 rótulos até o de 2010
Consegui essa cerveja como um presente do meu irmão Patrick, que por sua vez a ganhou de um americano em visita a Cervejaria Colorado. Para melhorar as coisas a cerveja era a versão em garrafa Magnum de 1,5 litros. A tomamos no início de abril de 2011 para comemorar o aniversário do meu pai, portanto cumprindo a sua função festiva e agregando toda a família.
Com a "belezinha" de 1 Litro e meio!
Aqui vai um video falando dessa cerveja e resumindo bem tudo o que eu escrevi acima:
Mas vamos a cerveja:
Verte líquido de coloração marrom-escura, quase negra, com raios avermelhados quando olhada contra a luz. O colarinho é cremoso e abundante, de cor beige, persistindo bem por uns 2 minutos até descer para uma densa camada de espuma que fica na superficie. A retenção fica acima da média.
Aroma interessantíssimo que mistura lúpulos cítricos, notas frutadas (uva-passa, ameixa, damasco e frutas cristalizadas), especiarias (canela e cravo) e um final maltado com grande presença de chocolate.
Sabor inicial de malte escuro torrado, caramelo e chocolate. Segue com notas de especiarias e frutas, principalmente tabaco, uva passa e frutas cristalizadas (panetone). Tênues notas lupuladas florais e pouco amargor finalizam.
O corpo é surpreendentemente medio a baixo e o drinkability é alto, mesmo com todas as especiarias ela não chega a ser enjoativa. A carbonatação é leve e aveludada e o mouthfeel relativamente seco devido a adstringência dos maltes escuros.
No geral é uma cerveja muito peculiar e divertida, com corpo leve e sabores intensos e complexos. Sem dúvida um excelente acompanhamento para pratos natalinos com especiarias.
Saindo da cervejaria em Milton, são cerca de 20 min / meia hora de carro até a simpatica cidade praiana de Rehoboth Beach, que basicamente tem uma avenida principal (Rehoboth Ave.) perpendicular a praia, onde há inúmeros hotéis, restaurantes e, mais ou menos no meio dela a direita, no numero 320, o Brewpub da DFH, que foi onde tudo começou.
Placa no estacionamento do Brewpub
Na parte de fora do brewpub tem o estacionamento e uma pequena lojinha/balcão onde se compra produtos da marca Dogfish Head e, é claro, as cervejas em caixa ou six-pack "to go".
Porta de entrada a esquerda e a loja/balcão a direita
Cheguei na hora do almoço e mesmo sendo no meio do inverno o lugar ja estava bem lotado. Coloquei o nome na lista de reserva e não esperei muito para conseguir uma mesa no segundo andar.
O bar é aquilo mesmo que a gente ve nos episódios de Brewmasters - Piso de madeira, telhado rústico, canoas no teto, mesas e balcão cheios, e uma atmosfera familiar e de camaradagem pairando no ar. Seguem algumas fotos do andar de baixo:
Ao subir para o segundo andar nota-se uma curiosidade: os degraus da escada têm cada um o nome de uma variedade de lupulo!
Ja devidamente sentado no andar de cima, pude notar algumas mesas de sinuca, dardos, o mesmo ambiente familiar e a destilaria da Dogfish. Isso mesmo, além da cerveja eles fazem in loco ali no segundo andar os spirits ou destilados: rum, vodka e gin (http://www.dogfish.com/brews-spirits/the-spirits/index.htm).
Vista da minha mesa
Mas vamos ao que interessa! Com o menu em mãos me decidi a pelo menos provar todas as cervejas possíveis, além da comida é claro, que também é muito elogiada.
O que você beberia primeiro?
Além das cervejas aí do menu, as mais interessantes eram aquelas exclusivas do brewpub. Segue a minha ordem de degustação. As avaliações foram feitas no meu celular no site do beeradvocate no momento do consumo e traduzidas para o português posteriormente. Aliás, se alguém quiser ler todas as minhas avaliações por lá, podem acessar o meu perfil aqui
Coloração dourada escura e alaranjada com espuma branca cremosa que perdura por um bom tempo. A retenção é fenomenal.
O aroma é de lupulos cítricos leves, com fortes notas de carvalho, madeira e maple syrup.
O sabor é muito diferente do esperado para uma IPA: começa com malte escuro e caramelo, lupulos frutados e em seguida notas dominantes de madeira com maple syrup. Como manda o figurino ela foi servida do barril de madeira a 13 graus, o que ajudou muito a realçar o sabor.
Corpo mediano com carbonatação baixa. Mouthfeel aveludado e macio, com alto drinkability. Tomei um pint como se fosse água.
No geral uma IPA completamente diferente da 60 ou 90 minute, com ênfase na madeira e no maple syrup. A baixa carbonatação, a temperatura e a forma de servir (pela hand pump) a deixaram espetacular. Foi a melhor (e ironicamente a primeira) cerveja de toda a visita a DFH.
Essa é a unica lager feita pela Dogfish Head. Mas como não poderia deixar de ser, não é uma lager comum e sim uma Imperial Pilsner com adição contínua de lupulos (estilo 60/90/120 minute IPA), em uma colaboração com a cervejaria italiana Birra del Borgo, feita pela primeira vez inclusive la na Italia, e posteriormente (2010) também nos EUA.
Coloração amarelo alaranjada e um pouco turva. Forma pequeno colarinho branco que desce rapidamente a apenas uma fina camada nas laterais do copo. A retenção é mediana.
Aroma é bem "clean" com malte e cereais seguidos de um perfumado lupulo com características mais frutadas e florais.
Sabor inicial novamente com malte pilsen, pão e cereais, seguido de lupulos frutados, spicy e florais/aromaticos. Finaliza relativamente seca com notas levemente amargas.
O corpo é mediano com um mouthfeel cheio e rico, malte e lupulos devidamente equilibrados, e moderada carbonatação.
Uma interessante Imperial Pilsener cheia de sabor e facil de tomar. Gostei do perfil dos lupulos e também dos maltes. Apesar do alto teor alcoolico, também tomei ela rapidamente. Baita cerveja, vale a pena ir atrás ja que agora a garrafa de 750 ml pode ser facilmente encontrada pelos EUA.
Essa cerveja é uma combinação de uma Imperial IPA com uma Old Ale, ambas fermentadas separadamente e posteriormente blendadas e maturadas por 1 mês em um dos tanques de madeira.
Coloração dourada escura com tons rubi, levemente translucida. Forma abundante colarinho branco bem cremoso que apresenta excelente persistencia e retenção.
Aroma de lupulo cítrico, malte caramelo e um pouco de baunilha. Agradável porém pouco intenso.
Ja o sabor é incrível: começa como se fosse uma IPA com notas lupuladas cítricas e frutadas, seguindo-se então uma avalanche de notas adocicadas de baunilha e madeira, finalizando com malte torrado, chocolate e café.
Corpo medio a alto com carbonatação mediana. Finaliza deliciosamente com as notas amargas dos lupulos se equilibrando bem com o adocicado da baunilha e as notas de carvalho.
Cerveja sensacional, um belo "twist" no ja batido genero das american IPAs acrescentando complexidade e drinkability. Foi a segunda melhor da noite atrás apenas da 75 minute IPA on cask.
Essa é uma Imperial Wit que leva em sua receita, além dos ja tradicionais coentro e cascas de laranja, suco de uvas pinot noir antes da fermentação. Após a fermentação uma porção da cerveja é então maturada em um dos tanques de madeira.
Coloração avermelhada rubi e cristalina. Forma pequena espuma de cor branca que dura por muito pouco tempo. A rentenção por outro lado é ótima.
Aroma remete a alguns perfumes (bem floral) e frutado, possivelmente em decorrência do fermento. As frutas que predominam são as vermelhas, mas também há notas sutis de uva, coentro e laranja.
O sabor lembra bastante o aroma mas com intensidade maior: malte trigo e cereais, coentro, laranja e limão. Novamente em uma nota menor estão as frutas vermelhas como morango, cereja e uva. As supostas notas de madeira são indetectaveis por mim.
Corpo mediano com alta carbonatação. O drinkability ficou bem prejudicado e baixo, fato que a distancia bem das witbiers comuns.
No geral é sem duvida mais uma experiencia interessante e inovadora. Muitos sabores e aromas diferentes mas o resultado final ficou muito extremo e pesado, com baixo drinkability e pouca refrescância, ao contrario do esperado pelo estilo.
Sem duvida uma das melhores ideias para uma cerveja ja perpetuada na industria: usar ingredientes de todos os continentes do mundo (daí o nome Pangea, que é nome do pré-histórico continente que posteriormente se dividiu e deu origem ao mapa como conhecemos hoje).
Portanto temos a agua da Antártida, gengibre cristalizado da Australia, arroz basmati da Asia, açúcar mascavo da Africa, quinoa da América do Sul, fermento da Europa e milho da América do Norte!
Coloração dourada e acobreada, bem cristalina, com colarinho branco que tem pouco persistência e retenção. Definitivamente faltou uma espuma mais densa e cremosa.
Aroma doce, principalmente de maltes, pão e cereais associado a muito gengibre e um pouco de laranja.
O sabor meio que segue o aroma mas com as notas de gengibre definitivamente dominando as outras notas de coentro, maçã, laranja, mel e cereais.
O corpo é mediano com alta carbonatação. O aftertaste é aromatico e persistente, novamente com o gengibre predominando. Drinkability medio a baixo ja que após alguns goles ela acaba ficando muito doce e um pouco enjoativa.
Mais uma cerveja interessante, cheia de especiarias, principalmente o gengibre. Achei valido experimenta-la mas não acho que a compraria novamente.
Sem duvida uma extreme beer, a 120 minute IPA é uma cerveja com quantidades imensas de lupulo e ainda maiores de malte. Tem gravidade de 45 plato e infusão continua de lupulos por 2 horas (daí o nome 120 minute). No fermentador, leva dry-hoppings diarios durante um mês e passa ainda mais um mês maturando em um tanque com lupulos em cone. Chamada por muitos de o "Santo Graal" dos lupulomaníacos!
Coloração laranja-escura e absurdamente turva, com colarinho escasso de cor branca que persiste por pucos segundos, deixando apenas uma película de espuma na superfície.
O aroma tem muito lupulo cítrico, notas doces de mel e malte escuro, discretas notas de madeira e um pouco de alcool volátil. A intensidade é algo impressionante.
Sabor inicial extremamente doce e grudento com melaço e marmelada. Segue-se então o sabor dos lupulos bastantes oleosos e citricos, com notas frutadas principais de tangerina, laranja e grapefruit - mas ainda assim o dulçor acaba prevalecendo sobre elas. Mais pro final alguns sabores de carvalho/madeira são um pouco perceptíveis. O aftertaste é finalmente um pouco amargo e "torrado" - imagine caramelizar uma Imperial IPA bem maltada em uma panela.
O corpo, como era de se esperar, é absurdamente alto, com carbonatação mediana. Drinkability baixíssimo, definitivamente uma cerveja de se bebericar. A porção ideal é mesmo um copinho de degustação de 100-150 ml.
No geral outra cerveja da DFH que tem que ser provada pelo menos uma vez. Ótima para bebericar em dias frios junto da lareira. Muitas pessoas discutem sua classificação como uma IPA, sugerindo que ela está mais para uma American Barley Wine. Eu diria que está mais para um Licor de Lúpulo.
Teor Alcoolico: varia de 15% a 21% conforme a receita.
IBU: 120 (independente deste numero, ainda é uma cerveja doce).
Além dessas ja raras cervejas, o brewpub ainda tinha mais duas receitas exclusivas que tinham sido feitas pela primeira vez. Não vou descrever as avaliações completas aqui (se quiser ve-las acesse o link delas no Beeradvocate.com).
A primeira delas era a "A Romantic Aromatic" (http://www.dogfish.com/brews-spirits/the-brews/brewpub-exclusives/a-romantic-aromatic.htm) uma IPA intensamente dry-hoppada com lupulos do noroeste americano e adição de fatias de limão secas. Lembro que era uma IPA pesadona de 10%, bem lupulada e que finalizava bem azeda e citrica por causa do limão. Talvez um tanto cítrica demais mas interessante mesmo assim.
A segunda e minha favorita foi a "Noble Rot" (http://www.dogfish.com/brews-spirits/the-brews/brewpub-exclusives/noble-rot.htm) uma Saison feita com maltes pilsen e trigo, duas variedades de lupulo e fermentada juntamente com uvas das variedades Pinot Noir e Viognier que foram infectadas com o fungo Botrytis (aquele que leva as frutas podres a ficarem cinzas). Este fungo é bem vindo em algumas variedades de vinho e da um "gostinho" a mais na fermentação. Lembro que a cerveja era deliciosa com bastante notas azedas e funky, finalizando bem spicy e aromatica devido ao fermento de saison. Excelente.