quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Visita a Dogfish Head parte 2, Rehoboth Beach DE

A fachada do Brewing & Eats

Saindo da cervejaria em Milton, são cerca de 20 min / meia hora de carro até a simpatica cidade praiana de Rehoboth Beach, que basicamente tem uma avenida principal (Rehoboth Ave.) perpendicular a praia, onde há inúmeros hotéis, restaurantes e, mais ou menos no meio dela a direita, no numero 320, o Brewpub da DFH, que foi onde tudo começou.

Placa no estacionamento do Brewpub

Na parte de fora do brewpub tem o estacionamento e uma pequena lojinha/balcão onde se compra produtos da marca Dogfish Head e, é claro, as cervejas em caixa ou six-pack "to go".

Porta de entrada a esquerda e a loja/balcão a direita

Cheguei na hora do almoço e mesmo sendo no meio do inverno o lugar ja estava bem lotado. Coloquei o nome na lista de reserva e não esperei muito para conseguir uma mesa no segundo andar.

O bar é aquilo mesmo que a gente ve nos episódios de Brewmasters - Piso de madeira, telhado rústico, canoas no teto, mesas e balcão cheios, e uma atmosfera familiar e de camaradagem pairando no ar. Seguem algumas fotos do andar de baixo:





 Ao subir para o segundo andar nota-se uma curiosidade: os degraus da escada têm cada um o nome de uma variedade de lupulo!


Ja devidamente sentado no andar de cima, pude notar algumas mesas de sinuca, dardos, o mesmo ambiente familiar e a destilaria da Dogfish. Isso mesmo, além da cerveja eles fazem in loco ali no segundo andar os spirits ou destilados: rum, vodka e gin (http://www.dogfish.com/brews-spirits/the-spirits/index.htm).

Vista da minha mesa

Mas vamos ao que interessa! Com o menu em mãos me decidi a pelo menos provar todas as cervejas possíveis, além da comida é claro, que também é muito elogiada.


O que você beberia primeiro?

Além das cervejas aí do menu, as mais interessantes eram aquelas exclusivas do brewpub. Segue a minha ordem de degustação. As avaliações foram feitas no meu celular no site do beeradvocate no momento do consumo e traduzidas para o português posteriormente. Aliás, se alguém quiser ler todas as minhas avaliações por lá, podem acessar o meu perfil aqui

http://beeradvocate.com/user/profile/paulozanello


Vamos as cervejas:



75 minute IPA / Johnny Cask



Essa cerveja é na verdade um blend da 60 min e da 90 min IPA. Melhor ainda, foi servida on cask (hand pump) de madeira com maple syrup em seu interior, além de um dry-hopping com cone-flowers de cascade (http://www.dogfish.com/community/news/press-releases/dogfish-announces-75-minute-ipa-simul-cask.htm)

Coloração dourada escura e alaranjada com espuma branca cremosa que perdura por um bom tempo. A retenção é fenomenal.

O aroma é de lupulos cítricos leves, com fortes notas de carvalho, madeira e maple syrup.

O sabor é muito diferente do esperado para uma IPA: começa com malte escuro e caramelo, lupulos frutados e em seguida notas dominantes de madeira com maple syrup. Como manda o figurino ela foi servida do barril de madeira a 13 graus, o que ajudou muito a realçar o sabor.

Corpo mediano com carbonatação baixa.  Mouthfeel aveludado e macio, com alto drinkability. Tomei um pint como se fosse água.

No geral uma IPA completamente diferente da 60 ou 90 minute, com ênfase na madeira e no maple syrup.  A baixa carbonatação, a temperatura e a forma de servir (pela hand pump) a deixaram espetacular. Foi a melhor (e ironicamente a primeira) cerveja de toda a visita a DFH.

Teor Alcoolico: 7.5%



Notas:

Aparência: 9/10
Aroma: 8/10
Sabor: 9/10
Sensação: 10/10
Conjunto: 9/10

Total: 9.0



My Antonia


Foto: beerandsausage.wordpress.com

Essa é a unica lager feita pela Dogfish Head. Mas como não poderia deixar de ser, não é uma lager comum e sim uma Imperial Pilsner com adição contínua de lupulos (estilo 60/90/120 minute IPA), em uma colaboração com a cervejaria italiana Birra del Borgo, feita pela primeira vez inclusive la na Italia, e posteriormente (2010) também nos EUA.

Coloração amarelo alaranjada e um pouco turva. Forma pequeno colarinho branco que desce rapidamente a apenas uma fina camada nas laterais do copo. A retenção é mediana.

Aroma é bem "clean" com malte e cereais seguidos de um perfumado lupulo com características mais frutadas e florais.

Sabor inicial novamente com malte pilsen, pão e cereais, seguido de lupulos frutados, spicy e florais/aromaticos. Finaliza relativamente seca com notas levemente amargas.

O corpo é mediano com um mouthfeel cheio e rico, malte e lupulos devidamente equilibrados, e moderada carbonatação.

Uma interessante Imperial Pilsener cheia de sabor e facil de tomar. Gostei do perfil dos lupulos e também dos maltes. Apesar do alto teor alcoolico, também tomei ela rapidamente. Baita cerveja, vale a pena ir atrás ja que agora a garrafa de 750 ml pode ser facilmente encontrada pelos EUA.

Teor Alcoolico: 7.5%


Notas:

Aparência: 7/10
Aroma: 8/10
Sabor: 9/10
Sensação: 8/10
Conjunto: 8/10

Total: 8.0



Burton Baton


foto: dailybeerreview.com

Essa cerveja é uma combinação de uma Imperial IPA com uma Old Ale, ambas fermentadas separadamente e posteriormente blendadas e maturadas por 1 mês em um dos tanques de madeira.

Coloração dourada escura com tons rubi, levemente translucida. Forma abundante colarinho branco bem cremoso que apresenta excelente persistencia e retenção.

Aroma de lupulo cítrico, malte caramelo e um pouco de baunilha. Agradável porém pouco intenso.

Ja o sabor é incrível: começa como se fosse uma IPA com notas lupuladas cítricas e frutadas, seguindo-se então uma avalanche de notas adocicadas de baunilha e madeira, finalizando com malte torrado, chocolate e café.

Corpo medio a alto com carbonatação mediana. Finaliza deliciosamente com as notas amargas dos lupulos se equilibrando bem com o adocicado da baunilha e as notas de carvalho.

Cerveja sensacional, um belo "twist" no ja batido genero das american IPAs acrescentando complexidade e drinkability. Foi a segunda melhor da noite atrás apenas da 75 minute IPA on cask.

Teor Alcoolico: 10%
IBU: 70


Notas:

Aparência: 8/10
Aroma: 7/10
Sabor: 9/10
Sensação: 8/10
Conjunto: 9/10

Total: 8.2



Red and White





Essa é uma Imperial Wit que leva em sua receita, além dos ja tradicionais coentro e cascas de laranja, suco de uvas pinot noir antes da fermentação. Após  a fermentação uma porção da cerveja é então maturada em um dos tanques de madeira.

Coloração avermelhada rubi e cristalina. Forma pequena espuma de cor branca que dura por muito pouco tempo. A rentenção por outro lado é ótima.

Aroma remete a alguns perfumes (bem floral) e frutado, possivelmente em decorrência do fermento. As frutas que predominam são as vermelhas, mas também há notas sutis de uva, coentro e laranja.

O sabor lembra bastante o aroma mas com intensidade maior: malte trigo e cereais, coentro, laranja e limão. Novamente em uma nota menor estão as frutas vermelhas como morango, cereja e uva. As supostas notas de madeira são indetectaveis por mim.

Corpo mediano com alta carbonatação. O drinkability ficou bem prejudicado e baixo, fato que a distancia bem das witbiers comuns.

No geral é sem duvida mais uma experiencia interessante e inovadora. Muitos sabores e aromas diferentes mas o resultado final ficou muito extremo e pesado, com baixo drinkability e pouca refrescância, ao contrario do esperado pelo estilo.

Teor Alcoolico: 10%
IBU: 35

Notas:

Aparência: 7/10
Aroma: 7.5/10
Sabor: 8/10
Sensação: 7/10
Conjunto: 7.5/10

Total: 7.4



Pangea



foto: thebeerdrinkerskitchen.com

Sem duvida uma das melhores ideias para uma cerveja ja perpetuada na industria: usar ingredientes de todos os continentes do mundo (daí o nome Pangea, que é nome do pré-histórico continente que posteriormente se dividiu e deu origem ao mapa como conhecemos hoje).

Portanto temos a agua da Antártida, gengibre cristalizado da Australia, arroz basmati da Asia, açúcar mascavo da Africa, quinoa da América do Sul, fermento da Europa e milho da América do Norte!

Coloração dourada e acobreada, bem cristalina, com colarinho branco que tem pouco persistência e retenção. Definitivamente faltou uma espuma mais densa e cremosa.

Aroma doce, principalmente de maltes, pão e cereais associado a muito gengibre e um pouco de laranja.

O sabor meio que segue o aroma mas com as notas de gengibre definitivamente dominando as outras notas de coentro, maçã,  laranja, mel e cereais.

O corpo é mediano com alta carbonatação. O aftertaste é aromatico e persistente, novamente com o gengibre predominando. Drinkability medio a baixo ja que após alguns goles ela acaba ficando muito doce e um pouco enjoativa.

Mais uma cerveja interessante, cheia de especiarias, principalmente o gengibre. Achei valido experimenta-la mas não acho que a compraria novamente.

Teor Alcoolico: 7%
IBU: 28




Notas:

Aparência: 7/10
Aroma: 7/10
Sabor: 8/10
Sensação: 6/10
Conjunto:7/10

Total: 7.0


120 minute IPA


foto: thecolumbuswench.wordpress.com

Sem duvida uma extreme beer, a 120 minute IPA é uma cerveja com quantidades imensas de lupulo e ainda maiores de malte. Tem gravidade de 45 plato e infusão continua de lupulos por 2 horas (daí o nome 120 minute). No fermentador, leva dry-hoppings diarios durante um mês e passa ainda mais um mês maturando em um tanque com lupulos em cone. Chamada por muitos de o "Santo Graal" dos lupulomaníacos!

Coloração laranja-escura e absurdamente turva, com colarinho escasso de cor branca que persiste por pucos segundos, deixando apenas uma película de espuma na superfície.

O aroma tem muito lupulo cítrico, notas doces de mel e malte escuro, discretas notas de madeira e um pouco de alcool volátil. A intensidade é algo impressionante.

Sabor inicial extremamente doce e grudento com melaço e marmelada. Segue-se então o sabor dos lupulos bastantes oleosos e citricos, com notas frutadas principais de tangerina, laranja e grapefruit - mas ainda assim o dulçor acaba prevalecendo sobre elas. Mais pro final alguns sabores de carvalho/madeira são um pouco perceptíveis. O aftertaste é finalmente um pouco amargo e "torrado" - imagine caramelizar uma Imperial IPA bem maltada em uma panela.

O corpo, como era de se esperar, é absurdamente alto, com carbonatação mediana. Drinkability baixíssimo, definitivamente uma cerveja de se bebericar. A porção ideal é mesmo um copinho de degustação de 100-150 ml.

No geral outra cerveja da DFH que tem que ser provada pelo menos uma vez. Ótima para bebericar em dias frios junto da lareira. Muitas pessoas discutem sua classificação como uma IPA, sugerindo que ela está mais para uma American Barley Wine. Eu diria que está mais para um Licor de Lúpulo.

Teor Alcoolico: varia de 15% a 21% conforme a receita.
IBU: 120 (independente deste numero, ainda é uma cerveja doce).

                                           

Notas:

Aparência: 7/10
Aroma: 8/10
Sabor: 8/10
Sensação: 6/10
Conjunto: 7/10

Total: 7.2


Além dessas ja raras cervejas, o brewpub ainda tinha mais duas receitas exclusivas que tinham sido feitas pela primeira vez. Não vou descrever as avaliações completas aqui (se quiser ve-las acesse o link delas no Beeradvocate.com).

A primeira delas era a "A Romantic Aromatic" (http://www.dogfish.com/brews-spirits/the-brews/brewpub-exclusives/a-romantic-aromatic.htm) uma IPA intensamente dry-hoppada com lupulos do noroeste americano e adição de fatias de limão secas. Lembro que era uma IPA pesadona de 10%, bem lupulada e que finalizava bem azeda e citrica por causa do limão. Talvez um tanto cítrica demais mas interessante mesmo assim.

A segunda e minha favorita foi a "Noble Rot" (http://www.dogfish.com/brews-spirits/the-brews/brewpub-exclusives/noble-rot.htm) uma Saison feita com maltes pilsen e trigo, duas variedades de lupulo e fermentada juntamente com uvas das variedades Pinot Noir e Viognier que foram infectadas com o fungo Botrytis (aquele que leva as frutas podres a ficarem cinzas). Este fungo é bem vindo em algumas variedades de vinho e da um "gostinho" a mais na fermentação. Lembro que a cerveja era deliciosa com bastante notas azedas e funky, finalizando bem spicy e aromatica devido ao fermento de saison. Excelente.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Visita a Dogfish Head parte 1, Milton DE



Após muito ensaiar, no começo de 2011  eu tive a oportunidade de finalmente visitar a cervejaria artesanal mais famosa dos EUA, A Dogfish Head Craft Brewed Ales (http://www.dogfish.com/) que fica na cidade de Milton, estado de Delaware.


Na verdade a cervejaria surgiu como o primeiro brewpub do estado, chamado de Dogfish Head Brewings & Eats e localizado na cidade praiana de Rehoboth Beach. O ano era 1995 e a ideia era a de trazer cervejas originais, comidas originais e música original para a cidade. Naquele ano a DFH era a menor cervejaria comercial dos EUA.



O lado bom de ter começado tão pequena foi a enorme liberdade de criação de receitas inusitadas, que é o que até hoje define a Dogfish Head. Ja tomei a maioria de suas cervejas de linha, bem como as sazonais e posso dizer que apesar de boas, não são as melhores do mundo, mas sem sombra de dúvida são as mais criativas. Com esse "twist" na concepção capitalista (vendendo o inusitado ao invés de o melhor) aliado a uma incrível campanha de marketing e comunicação visual, o fundador e mestre-cervejeiro Sam Calagione construiu uma verdadeira mina de ouro, tornando sua cervejaria em uma das "maiores menores" dos EUA.

Em 2002 foi construida uma grande e moderna fabrica na cidade de Milton (uns 20 minutos de carro de Rehoboth) que na época fez com que a produção aumentasse 30 vezes. Ela não parou de crescer até hoje.


A recente série de TV Brewmasters, do Discovery Channel (que pode ser vista no Brasil no canal Discovery Travel and Living) catapultou ainda mais a popularidade da marca e de seu carismatico CEO e porta voz. Sam Calagione é um cara comum, apaixonado pelo que faz e pela sua família e até então não deixou o sucesso subir a cabeça e prejudicar o produto final. Tive a oportunidade de trocar uma idéia rapida com ele em um evento em Washington e ao falar que era do Brasil ele se animou e disse: Brazil?! I love your sandals man! (em uma referência as Havaianas).

Eu e o Sam em Washington DC

A visita:

Naquele dia de janeiro estava muito frio e com muito vento. Saí de Washington DC de carro em direção leste, cruzando a enorme Chesapeake Bay Bridge que faz a divisa entre Maryland e Delaware. Após a ponte são umas boas 2 horas de carro em estradas planas no meio do nada. Falando em nada, Milton é uma cidade minúscula e a cervejaria fica a poucos quarteirões da rua principal.


Cheguei na cervejaria la pelo meio dia. As tours tem que ser reservadas de antemão pelo site da Dogfish mas ja estavam esgotadas assim mesmo. Resolvi ir de qualquer jeito e tentar entrar na lista de espera. Ao sair do carro ja avistei a famosa Steampunk Treehouse - casa de árvore metálica que tinha sido trazida do festival Burning Man em junho de 2010, história retratada em um dos episódios de Brewmasters. Do lado da casinha a também famosa pista de Bocce, onde há varios torneios entre funcionarios e outros cervejeiros.

Steampunk Treehouse

Fermentadores

 Bocce

Hall de entrada

Saindo do vento e dentro da área comum, pude ver a força do marketing da DFH com muitos produtos que iam de roupas, passando por posteres e livros e indo até frisbees, coleiras de cachorro e até sabonete (?!). Junto da loja, um taproom com 4 cervejas que poderiam ser degustadas 1 vez durante o tour, e outras muitas garrafas a venda. Segue as fotos:

Dogfish Merch

Caixas de cerveja a venda

Sabonetes Dogfish Head a esquerda

O caixa

Dogfish Art

Mais produtos


Outra coisa legal nesse ambiente era um grande quadro de cortiça com muitos desenhos, recados e mensagens deixados por quem passou por ali:

Baixe a foto e de um zoom para se divertir

Não era só eu que tinha tido a ideia de entrar na lista de espera para o tour. Uma verdadeira multidão de turistas e amantes de cerveja, a grande maioria da propria região, fizeram com que a fila de espera fosse imensa, o que me fez realmente pensar que não conseguiria entrar.

Mas para minha grande alegria logo chegou o funcionario que iria dar o tour e anunciou que apesar do tanto de gente, eles iriam abrir uma exceção  e todo mundo que ali estava iria poder entrar. Logo peguei meus óculos protetores e segui o guia la pra dentro. Abaixo um video que eu fiz nesse trajeto do tasting room até a cozinha de brassagem e sala de fermentação. Da pra ter uma ideia boa de como é la dentro:



O Tour em si foi o típico historia da cervejaria, curiosidades, etc, etc. O legal foi ter visto o "Sir Hops Alot" original ali do nosso lado (no final do video e na foto abaixo) - essa foi a engenhoca inventada por Sam para infundir continuamente por um tempo pré-determinado o lúpulo em suas IPAs, daí os nomes 60, 90 e 120 minute. Destaque também para os sensacionais tanques feitos com a madeira Palo Santo, usados na maturação de algumas das cervejas como a própria Palo Santo Marron.

O sistema "quase-homebrew" original da Dogfish Head, quando era a menor cervejaria comercial dos EUA

Insumos

Nosso "guia" com o sistema de moagem ao fundo

Cozinha de brassagem


Os tanques de madeira Palo Santo

Eu, com olhos devidamente protegidos, na frente do tanque de madeira

Fermentadores

"Escultura" que deve ter vindo com a Steampunk Treehouse

Depois da visita la dentro, voltamos para o tasting room munidos de 4 fichas em forma de dogfish para provarmos as cervejas do dia.

Ficha de cerveja

Muitas opções. Notem os preços bem mais justos que os do Brasil

A ordem de degustação foi:

- Namaste, uma witbier com capim-limão - http://cervejasamericanas.blogspot.com/2010/07/lupulin-reunuless-brickskeller.html

- Raison D'etre - http://cervejasamericanas.blogspot.com/2010/02/dogfish-head-raison-detre.html

- Indian Brown Ale - http://cervejasamericanas.blogspot.com/2011/02/dogfish-head-indian-brown-ale.html

- Palo Santo Marron - http://cervejasamericanas.blogspot.com/2011/01/mais-dogfish-head.html

Depois da degustação era hora de comprar alguns presentes, pegar o carro e seguir para Rehoboth Beach  para passar a tarde no Brewpub, onde tudo começou. O resto dessa historia, inclusive com a avaliação de algumas das cervejas mais raras da DFH ficam para o proximo post. Aguardem.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

He'Brew Jewbelation Fourteen



A Schmaltz Brewing Company / Hebrew (http://www.shmaltzbrewing.com/HEBREW/index.html) é uma cervejaria inusitada nos EUA. Nasceu em 1996 na região de San Francisco - California.
Foi ideia de Jeremy Cowan, um judeu que quis usar a cerveja pra divulgar a sua religião. A coisa começou bem devagar e ele quase foi a falencia inúmeras vezes no "início" da carreira. A perseverança foi maior e com o tempo o que parecia piada foi dando certo: antes o objetivo era somente cativar as pessoas de fé judia que queriam uma bebida Kosher (com selo de aprovação de um Rabino e portanto próprias para o consumo), mas logo o crescimento foi acelerado e a cerveja se expandiu para os consumidores de todas as fés.

Nesse meio tempo, Cowan e a Schmaltz fundaram a ainda mais bizarra Coney Island Craft Lagers (http://www.shmaltzbrewing.com/CONEY/index.html), cervejaria baseada na lendária praia dos suburbios de Nova York. Praia esta que possui, entre outras coisas, uma das montanhas russas de madeira mais célebres e antigas da história (a Cyclone - http://en.wikipedia.org/wiki/Coney_Island_Cyclone) , a principal competição de comedores de cachorros-quente do mundo, na lanchonete Nathan's (http://nathansfamous.com/PageFetch/) e provavelmente o mais famoso Freak Show do mundo (http://www.coneyisland.com/sideshow.shtml). Esse Freak Show inclusive serve de inspiração para os nomes e os rótulos das cervejas - como por exemplo a "Sword Swallower" e a "Human Blockhead". Mas o fato mais interessante de todos é que a cervejaria contratou Nic Sin, um dos anões do Freak-Show, para ser o mestre-cervejeiro em uma leva de cerveja, tornando-o o único mestre-cervejeiro anão do mundo.


Apesar de todas as cervejas inusitadas acima mencionadas, não existe nenhuma mais "extreme" do que as da série Jewbelation. São cervejas comemorativas de aniversario que vem sendo produzidas desde o oitavo ano, ou seja 2004.
O interessante é que para cada ano comemorado a cerveja é feita com aquele  numero de tipos de malte,  de tipos de lúpulo e de teor alcoólico - fazendo com que a versão de 2010 tivesse incríveis 14 tipos de malte, 14 tipos de lúpulo e 14% de alcool!

Clique para ampliar

E como se não bastasse, a cervejaria ainda lançou um "Holiday Pack" com todas as versões (de 8 a 14) acompanhada da Jewbelation Vertical que nada mais é do que um blend dessas 7 cervejas posteriormente envelhecida em barris de madeira que continham whisky de centeio.

He'Brew Jewbelation Fourteen 



Coloração bem escura e opaca porem não totalmente negra. Ainda da pra perceber algumas notas marro-escuras e avermelhadas na periferia do liquido quando eu ponho meu copo contra a luz. O colarinho é abundante e cremoso , de coloração marrom-clara e persiste bem com ótima retenção durante todo o consumo.

Aroma é bem forte com notas de malte escuro, chocolate, melaço, frutas escuras e alcool.

Sabor é absurdamente doce, com muito malte escuro, melaço, caramelo, frutas escuras (como figos e ameixas) e um tanto bom de alcool perceptivel. Finaliza bem com notas de chocolate meio-amargo e café, asim como algumas notas amargas de lupulo.

Corpo é bem pesado, aliás, um dos mais pesados que eu me lembro de ter tomado. Mouthfeel bem "mastigável" , viscoso e cheio. A carbonatação é media a alta e funciona bem. Já o drinkability é baixo visto que o alto corpo e o alcool são um tanto quanto agressivos no pálato.

No geral uma cerveja "grande" e pesada. Mas acho que vale a pena provar pelo menos uma vez. Com certeza tem uma ótima complexidade no gosto e no aroma, mas o alcool excessivo acaba prejudicando-a como um todo. Preço excelente.

Teor Alcoolico: 14%
Preco: US$ 6.99 a garrafa de 600 ml, na loja.


Notas:


Aparencia: 8/10
Aroma: 8/10
Sabor: 8/10
Sensacao: 6/10
Conjunto: 8/10


Total: 7.6


A Jewbelation 15 sai ainda no final de 2011! Alguém se habilita?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Oskar Blues e o "Apocalipse" das latas.



A Oskar Blues Brewery (http://www.oskarblues.com/) seria somente mais uma dentre as muitas micro-cervejarias do estado do Colorado e mesmo dos EUA. Mas o que a diferenciou das demais e a colocou pra sempre na historia do renascimento micro-cervejeiro norte-americano foi a brilhante ideia de apostar em algo  inimaginavel e inovador em 2002: colocar cerveja de qualidade em latinhas de aluminio.
Isso mesmo. Em novembro de 2002 essa pequena cervejaria da minuscula cidade de Lyons (1400 habitantes) comecou a enlatar a mao a sua cerveja carro-chefe, a excelente Dale's Pale Ale. O que se sucedeu foi o "Apocalipse da cerveja enlatada" tornando a Oskar Blues a primeira cervejaria artesanal dos EUA a comercializar cervejas nesse formato.


A ousada manobra, que parecia brincadeira e motivo de piada na epoca, deu muito certo e tornou a marca conhecida nacionalmente (a cervejaria cresceu 100% por 3 anos consecutivos). O proprietario da cervejaria, Dale Katechis explica que as latinhas tornaram a sua cerveja extremamente portavel para se levar onde quisesse, principalmente em eventos a ceu aberto onde muitas vezes nao se permite o vidro (praias, piscinas, barcos, trilhas, etc).
A qualidade tambem nao fica prejudicada, muito pelo contrario: a lata proteje a cerveja com maior eficacia contra a acao da luz UV e do oxigenio, principais fatores "estragadores" de uma cerveja. Alem disso, as latas de hoje em dia sao totalmente revestidas por dentro, de modo que o liquido e o metal nao entram em contato um com o outro em nenhum momento.
A "cereja no bolo" e' tambem o fato de que as latas sao mais faceis de se reciclar (uma latinha reciclada gera 95% menos poluicao do que uma nova), nao correm riscos de provocar acidentes graves como o vidro e sao bem mais baratas e leves para o transporte (cerca de 35% do peso de uma garrafa de cerveja vem de sua embalagem), reduzindo o dano a meio ambiente com o uso de combustivel.

O video abaixo explica e ilustra tudo isso que eu falei. Vale muito a pena perder uns 8 minutinhos e assisti-lo na integra.



Fica entao a dica para as cervejarias brasileiras apostarem nesse tipo de formato. Quem me dera entrar no pao de acucar e levar uma caixinha com 12 latinhas de Colorado, Bamberg, Wals, etc, por um preco camarada.

E pra provar que tudo isso que eu falei e' verdade, acabando de vez com o preconceito sobre as latinhas, a Oskar Blues vem ganhando ha anos diversos premios em competicoes, inclusive 3 medalhas (duas de prata e uma de bronze) no GABF 2011 realizado no final de semana passado.



Ano passado provei algumas de suas cervejas, direto da lata. Aqui vao minhas impressoes:


Dale's Pale Ale


A pioneira. A Flagship Beer. A primeira cerveja artesanal enlatada dos EUA.

A Dale's Pale ale tem coloracao marrom-clara/cobre, cristalina, e forma colarinho branco de dois dedos com boa persistencia e retencao.

O aroma e' principalmente lupulado com muitas notas citricas como laranja, tangerina, grapefruit e pinhal. Nada muito absurdo de intenso. Notas de malte caramelo e tostado aparecem em segundo plano contrabalanceando o lupulo.

O sabor e' novamente dominado pelo lupulo citrico. Para uma pale ale os lupulos aparecem mais do que deviam (talvez por isso seja tao boa). Notas de grapefuit e limao, bem como pinhal. Finaliza com amargor moderado que da lugar as notas maltadas de pao e caramelo somente no final do gole (ate' aqui era praticamente so' lupulo), contribuindo para um relativo equilibrio no aftertaste.

O corpo e' mediano com mouthfeel adstringente e seco proveniente do amargor e da media a alta carbonatacao que envolve todo o palato.

No geral uma otima Pale Ale, que flerta com a definicao de IPA pelo alto teor de aroma e sabor lupulado citrico. Ahh se tivessemos latinhas como essa a precos acessiveis aqui no Brasil.

Teor Alcoolico: 6.5%
IBUs: 65
Preco: US$ 4,00 no bar.


Notas:


Aparencia: 9/10
Aroma: 8/10
Sabor: 8/10
Sensacao: 8/10
Conjunto: 8/10


Total: 8.2


Old Chub



Como o video acima mostrou, a Old Chub foi a segunda cerveja a ser enlatada. E' uma Scotch Strong Ale / Wee Heavy que, diferentemente da Dale's Pale Ale, tem o malte como sua principal estrela, inclusive uma pitada de malte defumado.

Coloracao marrom bem escuro que lembra coca-cola, com raias vermelhas quando olhada contra a luz. A carbonatacao mediana forma colarinho marrom-claro pouco intenso porem com mediana persistencia e retencao.

Aroma de malte torrado, caramelo, toffee, nuts, chocolate e um toque de cafe'.

O sabor segue bem o aroma com chocolate amargo, toffee e caramelo predominando. Notas menores de cafe', baunilha, frutas escuras e defumado tambem sao perceptiveis. Os lupulos florais sao bem timidos e completamente dominados pelo malte. Um toque de alcool finaliza. Aftertaste duradouro, rico e adocicado.

Mouthfeel excelente e aveludado, com carbonatacao media a baixa. O corpo e' mediano com bastante personalidade e sabor.

No geral essa e' uma cerveja que cativa. Extremamente apetitosa e bem feita. Vale a pena experimentar.

Teor Alcoolico: 8.0%
Preco: US$ 5.00 no bar

foto: thebrewsite.com

Notas:

Aparencia: 7/10
Aroma: 8/10
Sabor: 8/10
Sensacao: 9/10
Conjunto: 8/10

Total: 8.0


G'Knight


Essa e' uma American Imperial Red (que nao e' muito diferente de uma Imperial IPA) batizada em homenagem a Gordon Knight - um antigo mestre-cervejeiro e veterano da guerra do Vietna que morreu em um acidente de helicoptero quando tentava controlar um incendio nos arredores de Lyons, Colorado, cidade natal da Oskar Blues. Se quiser saber mais sobre essa historia clique neste link:  http://n3978y.com/.

Ate' cerca de um ano atras essa cerveja se chamava apenas Gordon, mas devido a uma briga judicial com a rede de brewpubs Gordon Biersch a cervejaria teve que mudar o nome de seu produto.

Brassada com 6 tipos de malte e 3 tipos de lupulo. Dry-hoppada com Amarillo.

Aparencia marrom-clara e avermelhada, bem turva, com uma fenomenal e cremosa espuma branca com tons bege-claro, algo que nao se ve sempre mas pode indicar cervejas bem lupuladas. Persistencia e retencao de espuma sao otimas. Essas latas realmente sao excelentes.

Aroma dominado por lupulos citricos com tangerina e grapefruit, e tambem frutado/floral com notas adocicadas. O malte e' pouco perceptivel mas detectavel com notas de caramelo e pao/biscoito. 

Sabor inicial com notas maltadas de caramelo e um pouco de candy sugar. Transiciona para lupulos citricos com uma boa dose de amargor que perdura ate' o aftertaste. O balanco entre lupulo e malte e' muito bem feito nessa cerveja. 

Corpo medio a alto com o alcool se fazendo presente desde o primeiro gole - nao de uma maneira ruim e desequilibrada mas sim com aquela sensacao quente na garganta que com o passar do tempo se transmite para o resto do corpo. Carbonatacao mediana. O amargor do retrogosto se alia perfeitamente a cremosidade e dulcor do caramelo e candy sugar.

No geral e' outra entre as tantas excelentes imperial IPAs americanas, estilo que eu particularmente venero. O fato de vir em uma latinha a torna ainda mais impressionante.


foto: dailybeerreview.com

Notas:

Aparencia: 9.5/10
Aroma: 8/10
Sabor: 8/10
Sensacao: 8/10
Conjunto: 8/10

Total: 8.3



Ten Fidy



Pra finalizar essa incursao nas sensacionais cervejas enlatadas da Oskar Blues, nada melhor do que a Ten Fidy, uma Imperial Stout muito respeitada e vencedora da medalha de ouro no World Beer Championships de 2010.

Lembro que quando eu a pedi no bar, todos que estavam na mesa nao acreditaram no que estava saindo de dentro daquela lata preta e prateada. No fim, nao teve uma pessoa que nao quis dar um gole e ver por si mesmo.

Coloracao preto-piche, totalmente opaca e extremamente viscosa e densa. Ate' hoje minha namorada a descreve como a "cerveja que parecia um leite-condensado preto caindo no copo". Forma cremoso colarinho pequeno de cor marrom-avermelhada e boa persistencia.

O aroma tem todo tipo de malte escuro torrado, toffee, chocolate meio amargo, um pouco de cafe' e frutas escuras. Finaliza com alcool volatil perceptivel.

Sabor tambem com malte torrado, chocolate meio-amargo, toffee, frutas escuras e cafe'. Finaliza com um amargor interessante que nao chega a dominar o doce mas faz os lupulos serem notados. No longo aftertaste uma combinacao de notas defumadas e frutas aliadas a ja presente mistura entre amargor e malte.

Mouthfeel com viscosidade media que engloba toda a boca. O corpo e' medio a alto e a carbonatacao mediana. Alcool presente porem contribuindo para a amplificacao sensorial dos outros atributos no aftertaste. Nao finaliza totalmente seca mas tambem nao e' assim tao doce. Bom equilibrio nesse aspecto.

No geral e' uma Imperial Stout de primeira linha, que nao fica devendo em nada para as outras que eu ja tomei. Se pudesse recomendar somente uma cerveja da Oscar Blues essa seria a minha escolha.

Teor Alcoolico: 10.5%
IBU: 98
Preco: US$ 10.00 a lata, no bar


Notas:

Aparencia: 9/10
Aroma: 8/10
Sabor: 9/10
Sensacao: 9/10
Conjunto: 9/10

Total: 8.8

E pra finalizar, um video da producao da Ten Fidy ao som do Ramones. Enjoy!


Ten FIDY Returns from Chad Melis on Vimeo.